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Ancoradouro do Tempo” nas celebrações dos 208 anos da Ilha de Moçambique

Por: Elisa Mucoma

A Ilha de Moçambique recebeu, pela primeira vez, a exibição do filme “O Ancoradouro do Tempo”, do realizador Sol de Carvalho, adaptado da obra “A Varanda do Frangipani”, de Mia Couto.

Com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, o filme “O Ancoradouro do Tempo” foi finalmente exibido no lugar onde nasceu, em 2022, durante três dias de mostra integrados nas comemorações dos 208 anos do município da Ilha de Moçambique.

A digressão começou no dia 17, no Lumbo, ao ar livre e com entrada livre. Seguiu, no dia 18, para o bairro de Quirahi, em Macuti, e terminou na noite mais esperada, na Fortaleza, onde o filme foi gravado e onde a figuração e os técnicos locais puderam, finalmente, ver-se no ecrã.

Para a directora de produção da Promarte, Marieta Manjate, que representou a produtora, voltar foi uma festa e um reencontro.

“Queria agradecer ao Camões pela oportunidade que deu à Promarte para voltarmos à Ilha e fazermos a estreia. A Ilha foi o espaço onde produzimos o filme e tínhamos prometido aos colaboradores e à população que iríamos voltar para o mostrar. Foi gratificante ver que as pessoas disseram que foi um papel cumprido. Apesar dos ciclones, a Ilha continua viva”, afirmou.

A viagem começou logo no dia 16, com a exibição do filme “Muhipiti Alima”, produzido em 1997 por Sol de Carvalho e um dos primeiros filmes de ficção da Promarte. Na ocasião, prestou-se homenagem à actriz Ondulúcia, conhecida como Janina, do grupo Estrela Vermelha, já falecida, cuja neta recebeu o certificado em nome da família, ao lado do actor Nazário, presente nos dois filmes.

O programa foi além das exibições. Aproveitando o espírito do Festival Owani, que cruza música, cultura e cinema, foi realizado um debate sobre música e cinema com os enviados da Promarte à Ilha e com o autor da banda sonora de “O Ancoradouro do Tempo”, o músico Stewart Sukuma.

Quem também não escondeu a emoção foi a actriz principal de “O Ancoradouro do Tempo”, Maria Atália Adamugy, que integrou a comitiva da Promarte.

No seu depoimento, a actriz disse ter-se sentido honrada e privilegiada por representar a classe dos actores na estreia na Ilha.

“Já tinha visto o filme duas ou três vezes no Scala e vê-lo lá na Ilha, na Fortaleza, terra-a-terra, foi um outro filme. Ver com aquelas pessoas que participaram, com os residentes da Ilha e do Lumbo, trouxe outras vibrações, outra energia”, contou.

Apesar de preferir a atmosfera da sala de cinema, Maria Atália diz que a exibição na Fortaleza teve um peso simbólico e diferente.

A actriz agradeceu o convite à Promarte e aos organizadores do Festival Owani e deixou um apelo: que a iniciativa não termine na Ilha.

“Que venham mais iniciativas destas, que possa rodar por todo o Moçambique”, pediu.

Um regresso que, para quem fez e para quem viu, provou que o cinema moçambicano precisa de voltar sempre a casa.


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