Gungu celebra 34 anos de teatro e reafirma compromisso com a cultura moçambicana
A Companhia de Teatro Gungu assinalou, a 2 de Setembro, 34 anos de existência, numa celebração marcada por memórias, reconhecimento aos seus artistas e colaboradores e uma homenagem especial ao público que tem acompanhado a trajectória da companhia ao longo das últimas décadas.
Numa mensagem alusiva à data, o director do Gungu, Gilberto Mendes, destacou a dimensão de uma história construída ao longo de milhares de espectáculos, viagens, desafios, prémios e encontros com diferentes públicos em Moçambique e no estrangeiro.
Ao recordar os 34 anos da companhia, Gilberto Mendes prestou homenagem aos actores, técnicos, produtores, profissionais da administração, comunicação, televisão, cinema, manutenção, segurança, limpeza e bilheteira, sublinhando que o Gungu é resultado de um esforço colectivo que vai muito além do que acontece no palco.
“O espectáculo dura algumas horas. O Gungu acontece todos os dias.”
Na mensagem, o responsável reconheceu igualmente o papel dos profissionais que trabalham nos bastidores e que tornam possível a realização dos espectáculos, destacando o seu contributo para a continuidade da companhia.
Público é apontado como o maior prémio
Um dos pontos centrais da mensagem foi a relação construída entre o Gungu e o seu público ao longo dos anos.
Gilberto Mendes lembrou que a companhia já apresentou o seu trabalho em palcos de África, Europa e América, tendo recebido distinções e prémios em diferentes contextos. No entanto, considerou que nenhum reconhecimento se compara à presença do público nas salas de espectáculo.
Para o director, a capacidade de manter espectadores durante 34 anos constitui uma das maiores conquistas da companhia.
O público, segundo Mendes, não se limitou a assistir aos espectáculos, mas também contribuiu para o crescimento do Gungu através dos aplausos, críticas e sugestões.
Uma história construída por várias gerações
Ao longo da sua trajectória, o Gungu reuniu diferentes gerações de artistas e profissionais. Alguns chegaram ainda jovens e permaneceram durante décadas, enquanto outros passaram pela companhia em diferentes momentos da sua história.
A mensagem também recorda os membros que já partiram, mas cujo contributo permanece na memória da companhia.
Para Gilberto Mendes, a história do Gungu ultrapassa a dimensão de uma companhia teatral e tornou-se parte da memória cultural de Moçambique.
“Começámos por fazer teatro. Depois percebemos que estávamos a construir memória”, afirmou.
Gungu prepara caminho para os 35 anos
A celebração dos 34 anos acontece num momento em que a companhia já olha para o próximo marco da sua história: os 35 anos.
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do percurso, Mendes considera que a capacidade de continuar a criar, experimentar, provocar reflexão e estabelecer diálogo com o público constitui uma das principais forças do Gungu.
A companhia é apresentada como um espaço onde o teatro se cruza com a sociedade, abordando questões do quotidiano, provocando reflexão e criando momentos de humor, emoção e debate.
Ao concluir a mensagem, Gilberto Mendes deixou uma palavra de gratidão à família Gungu e ao público, defendendo que, 34 anos depois, “a cortina continua aberta”.
A próxima etapa, segundo o director, é caminhar rumo aos 35 anos, mantendo vivo o compromisso com o teatro e com o público moçambicano.

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