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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ancoradouro do Tempo” nas celebrações dos 208 anos da Ilha de Moçambique

Por: Elisa Mucoma

A Ilha de Moçambique recebeu, pela primeira vez, a exibição do filme “O Ancoradouro do Tempo”, do realizador Sol de Carvalho, adaptado da obra “A Varanda do Frangipani”, de Mia Couto.

Com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, o filme “O Ancoradouro do Tempo” foi finalmente exibido no lugar onde nasceu, em 2022, durante três dias de mostra integrados nas comemorações dos 208 anos do município da Ilha de Moçambique.

A digressão começou no dia 17, no Lumbo, ao ar livre e com entrada livre. Seguiu, no dia 18, para o bairro de Quirahi, em Macuti, e terminou na noite mais esperada, na Fortaleza, onde o filme foi gravado e onde a figuração e os técnicos locais puderam, finalmente, ver-se no ecrã.

Para a directora de produção da Promarte, Marieta Manjate, que representou a produtora, voltar foi uma festa e um reencontro.

“Queria agradecer ao Camões pela oportunidade que deu à Promarte para voltarmos à Ilha e fazermos a estreia. A Ilha foi o espaço onde produzimos o filme e tínhamos prometido aos colaboradores e à população que iríamos voltar para o mostrar. Foi gratificante ver que as pessoas disseram que foi um papel cumprido. Apesar dos ciclones, a Ilha continua viva”, afirmou.

A viagem começou logo no dia 16, com a exibição do filme “Muhipiti Alima”, produzido em 1997 por Sol de Carvalho e um dos primeiros filmes de ficção da Promarte. Na ocasião, prestou-se homenagem à actriz Ondulúcia, conhecida como Janina, do grupo Estrela Vermelha, já falecida, cuja neta recebeu o certificado em nome da família, ao lado do actor Nazário, presente nos dois filmes.

O programa foi além das exibições. Aproveitando o espírito do Festival Owani, que cruza música, cultura e cinema, foi realizado um debate sobre música e cinema com os enviados da Promarte à Ilha e com o autor da banda sonora de “O Ancoradouro do Tempo”, o músico Stewart Sukuma.

Quem também não escondeu a emoção foi a actriz principal de “O Ancoradouro do Tempo”, Maria Atália Adamugy, que integrou a comitiva da Promarte.

No seu depoimento, a actriz disse ter-se sentido honrada e privilegiada por representar a classe dos actores na estreia na Ilha.

“Já tinha visto o filme duas ou três vezes no Scala e vê-lo lá na Ilha, na Fortaleza, terra-a-terra, foi um outro filme. Ver com aquelas pessoas que participaram, com os residentes da Ilha e do Lumbo, trouxe outras vibrações, outra energia”, contou.

Apesar de preferir a atmosfera da sala de cinema, Maria Atália diz que a exibição na Fortaleza teve um peso simbólico e diferente.

A actriz agradeceu o convite à Promarte e aos organizadores do Festival Owani e deixou um apelo: que a iniciativa não termine na Ilha.

“Que venham mais iniciativas destas, que possa rodar por todo o Moçambique”, pediu.

Um regresso que, para quem fez e para quem viu, provou que o cinema moçambicano precisa de voltar sempre a casa.


domingo, 6 de setembro de 2026

ARCÉNIA QUEHÁ MARCA ESTREIA HISTÓRICA DE MOÇAMBIQUE NO MISS MUNDO; DOMINICANA VENCE A COROA

A moçambicana Arcénia Quehá entrou para a história ao representar, pela primeira vez, Moçambique no Miss Mundo, um dos mais antigos e prestigiados concursos internacionais de beleza. A 73.ª edição do evento terminou neste sábado, 5 de setembro, em Nha Trang, no Vietname, com a coroação de Joheirry Mola, da República Dominicana.

A nova Miss Mundo sucedeu à tailandesa Opal Suchata, vencedora da edição de 2025. Na classificação final, Elisabeth Reynés, de Espanha, ficou como primeira vice-campeã, enquanto Taanusiya Chetty, da Malásia, conquistou a terceira posição.
Apesar de não ter conquistado a coroa, a participação de Arcénia Quehá representa um marco inédito para Moçambique. A jovem foi apresentada pela organização como a primeira representante moçambicana na história do Miss Mundo e conseguiu avançar até ao Top 40, colocando o país entre as semifinalistas da edição de 2026.


UMA ESTREIA QUE COLOCA MOÇAMBIQUE NO MAPA DO MISS MUNDO

Natural da província de Sofala, Arcénia Quehá chegou ao concurso levando consigo não apenas a bandeira moçambicana, mas também uma trajetória ligada à beleza, formação e intervenção comunitária.
De acordo com o perfil oficial da organização, Arcénia é estudante de beleza e estética, maquilhadora e formadora, além de desenvolver actividades de intervenção social e educação de pares. A sua experiência inclui trabalho voluntário com a Comunidade de Sant’Egidio, onde participou na preparação e distribuição de alimentos para crianças e mulheres em situação de vulnerabilidade, além do envolvimento em iniciativas relacionadas com saúde sexual e reprodutiva.

A sua presença no Vietname ganhou ainda maior relevância quando Moçambique conseguiu entrar no Top 40, numa competição que reuniu 111 representantes nacionais.
Mais do que uma disputa pela coroa, a participação permitiu que Moçambique fosse apresentado num dos maiores palcos internacionais ligados aos concursos de beleza.


UM CONCURSO QUE VAI ALÉM DA BELEZA

Criado em 1951, no Reino Unido, o Miss Mundo é considerado pela própria organização o mais antigo concurso internacional de beleza ainda existente. A primeira edição aconteceu em Londres, no Lyceum Ballroom, em 29 de julho de 1951, no contexto das celebrações do Festival of Britain.

A competição foi criada pelo britânico Eric Morley e, ao longo das décadas, transformou-se num evento internacional que reúne representantes de diferentes países e regiões do mundo.

Uma das principais características do Miss Mundo moderno é o conceito “Beauty With a Purpose” — “Beleza com Propósito”, iniciativa que procura destacar o trabalho social e humanitário desenvolvido pelas concorrentes.

A organização explica que o programa passou a ocupar uma posição central no concurso, dando às participantes uma plataforma para promover causas sociais e apoiar comunidades vulneráveis.
Por isso, ao longo dos anos, o Miss Mundo deixou de ser visto apenas como uma competição de aparência física. Projectos sociais, comunicação, talento, desporto, moda e capacidade de representar uma causa passaram a fazer parte da preparação das concorrentes.


75 ANOS DE HISTÓRIA

A edição de 2026 teve um significado especial: marcou as celebrações dos 75 anos do Miss Mundo.

Embora tenha sido anunciada como a 73.ª edição do concurso, a organização assinalou este ano como o aniversário de 75 anos da marca, que nasceu em 1951. O Vietname recebeu pela primeira vez a grande final, encerrando um festival de quatro semanas que reuniu 111 representantes nacionais.
Durante a competição, as candidatas participaram em diferentes desafios, entre eles Beauty With a Purpose, Multimedia, Head-to-Head, Top Model, People’s Choice, Talento e Desporto.

O formato de 2026 estabeleceu inicialmente um Top 40, dividido em quatro grandes regiões: África, Américas & Caraíbas, Ásia & Oceania e Europa. A competição avançou depois para Top 20, Top 12 e Top 6, até chegar à coroação da nova Miss Mundo.
Foi neste percurso que Arcénia Quehá conseguiu fazer história para Moçambique.


A VITÓRIA DA REPÚBLICA DOMINICANA

No final da noite em Nha Trang, os holofotes ficaram voltados para a República Dominicana.
Joheirry Mola foi coroada Miss Mundo 2026, conquistando para o seu país a segunda vitória na história do concurso. A primeira coroa dominicana tinha sido conquistada em 1982, por Mariasela Álvarez.

A vitória de Mola encerrou uma edição marcada pela diversidade cultural, pela competição entre diferentes regiões do mundo e pela crescente importância dada às causas sociais defendidas pelas participantes.
Para Moçambique, entretanto, a história desta edição será lembrada por outro nome: Arcénia Quehá.

A sua estreia abriu uma nova página na relação de Moçambique com o Miss Mundo e mostrou que a bandeira moçambicana pode ocupar espaço num dos maiores palcos internacionais de beleza, cultura e intervenção social.
Mais do que a posição alcançada, a participação de Arcénia deixa um precedente para futuras representantes do país: Moçambique já fez a sua estreia no Miss Mundo — e agora existe uma história para continuar.




quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Gungu celebra 34 anos de teatro e reafirma compromisso com a cultura moçambicana

A Companhia de Teatro Gungu assinalou, a 2 de Setembro, 34 anos de existência, numa celebração marcada por memórias, reconhecimento aos seus artistas e colaboradores e uma homenagem especial ao público que tem acompanhado a trajectória da companhia ao longo das últimas décadas.

Numa mensagem alusiva à data, o director do Gungu, Gilberto Mendes, destacou a dimensão de uma história construída ao longo de milhares de espectáculos, viagens, desafios, prémios e encontros com diferentes públicos em Moçambique e no estrangeiro.

Ao recordar os 34 anos da companhia, Gilberto Mendes prestou homenagem aos actores, técnicos, produtores, profissionais da administração, comunicação, televisão, cinema, manutenção, segurança, limpeza e bilheteira, sublinhando que o Gungu é resultado de um esforço colectivo que vai muito além do que acontece no palco.

“O espectáculo dura algumas horas. O Gungu acontece todos os dias.” 

Na mensagem, o responsável reconheceu igualmente o papel dos profissionais que trabalham nos bastidores e que tornam possível a realização dos espectáculos, destacando o seu contributo para a continuidade da companhia.


Público é apontado como o maior prémio

Um dos pontos centrais da mensagem foi a relação construída entre o Gungu e o seu público ao longo dos anos.

Gilberto Mendes lembrou que a companhia já apresentou o seu trabalho em palcos de África, Europa e América, tendo recebido distinções e prémios em diferentes contextos. No entanto, considerou que nenhum reconhecimento se compara à presença do público nas salas de espectáculo.

Para o director, a capacidade de manter espectadores durante 34 anos constitui uma das maiores conquistas da companhia.

O público, segundo Mendes, não se limitou a assistir aos espectáculos, mas também contribuiu para o crescimento do Gungu através dos aplausos, críticas e sugestões.


Uma história construída por várias gerações

Ao longo da sua trajectória, o Gungu reuniu diferentes gerações de artistas e profissionais. Alguns chegaram ainda jovens e permaneceram durante décadas, enquanto outros passaram pela companhia em diferentes momentos da sua história.

A mensagem também recorda os membros que já partiram, mas cujo contributo permanece na memória da companhia.

Para Gilberto Mendes, a história do Gungu ultrapassa a dimensão de uma companhia teatral e tornou-se parte da memória cultural de Moçambique.

“Começámos por fazer teatro. Depois percebemos que estávamos a construir memória”, afirmou.


Gungu prepara caminho para os 35 anos

A celebração dos 34 anos acontece num momento em que a companhia já olha para o próximo marco da sua história: os 35 anos.

Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do percurso, Mendes considera que a capacidade de continuar a criar, experimentar, provocar reflexão e estabelecer diálogo com o público constitui uma das principais forças do Gungu.

A companhia é apresentada como um espaço onde o teatro se cruza com a sociedade, abordando questões do quotidiano, provocando reflexão e criando momentos de humor, emoção e debate.

Ao concluir a mensagem, Gilberto Mendes deixou uma palavra de gratidão à família Gungu e ao público, defendendo que, 34 anos depois, “a cortina continua aberta”.

A próxima etapa, segundo o director, é caminhar rumo aos 35 anos, mantendo vivo o compromisso com o teatro e com o público moçambicano.

Concurso Nacional de Literatura 2026 atribui prémio de um milhão de meticais em cada categoria

O Ministério da Educação e Cultura aprovou o Regulamento do Concurso Nacional de Literatura 2026, iniciativa que pretende incentivar a produção literária moçambicana, promover o gosto pela literatura e estimular a crítica e a investigação sobre a literatura nacional.

Imagem ilustrativa







Aprovado através do Diploma Ministerial n.º 48/2026, de 19 de Junho, o concurso é dirigido a cidadãos moçambicanos residentes no país ou na diáspora, nascidos a partir de 1975. As obras submetidas devem ter como pano de fundo o tema “50 Anos da Independência Nacional”.

A edição de 2026 contempla quatro categorias: Poesia, Literatura Infanto-Juvenil, Ficção Narrativa — incluindo conto, novela e romance — e Ensaio sobre Literatura.

De acordo com o regulamento, as obras devem ser originais, inéditas e escritas em língua portuguesa. Cada concorrente poderá apresentar apenas um trabalho por categoria.

Prémio de um milhão de meticais

Um dos principais atractivos do concurso é a premiação. O regulamento estabelece um prémio monetário de 1.000.000 de meticais para cada uma das quatro categorias. Para além da componente financeira, as obras vencedoras serão editadas e publicadas.

Os trabalhos deverão respeitar diferentes extensões mínimas. Na categoria de Poesia são exigidas pelo menos 4.000 palavras; Literatura Infanto-Juvenil, 800 palavras; enquanto Ficção Narrativa e Ensaio Literário devem ter, cada um, um mínimo de 20.000 palavras. Os originais devem ser apresentados em formato Word (DOCX).

Candidaturas até 11 de Setembro

Os interessados têm até 11 de Setembro de 2026 para submeter as suas candidaturas. O regulamento permite a entrega dos trabalhos em formato físico ou digital.

Na modalidade física, os trabalhos devem ser apresentados em uma cópia A4, acompanhada de uma versão digital em DOCX, através de uma pen drive. As obras deverão ser assinadas com um pseudónimo nunca antes utilizado pelo autor. A documentação de identificação deverá ser apresentada num sobrescrito fechado, que só será aberto depois da deliberação do júri.

Os originais em papel podem ser entregues na sede da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), na cidade de Maputo, ou nas Direcções Provinciais da Educação e Cultura.

Para as candidaturas digitais, os trabalhos deverão ser submetidos até às 23h59 de 11 de Setembro de 2026, através de um link que será disponibilizado na página do Ministério da Educação e Cultura.

Júri terá cinco especialistas

A avaliação estará a cargo de um júri composto por cinco personalidades de reconhecida competência e idoneidade no mundo literário: dois escritores e três estudiosos de literatura, sendo um destes o presidente do júri.

As decisões serão tomadas por maioria simples. O júri poderá atribuir o prémio ex aequo a até duas obras por categoria, mas também poderá decidir não atribuir o prémio caso considere que nenhuma das propostas reúne os requisitos necessários. As decisões do júri não são passíveis de recurso.

Com esta iniciativa, o Ministério da Educação e Cultura procura reforçar a valorização da criação literária nacional e criar espaço para o reconhecimento de novos e actuais autores, num concurso dedicado à celebração dos 50 anos da Independência Nacional.